
S. Paulo
O seu nascimento para Cristo (ou a “Conversão”) celebra-se, em 25 de Janeiro, hoje, termo da Semana de oração pela unidade dos cristãos.
A Iconografia
a) A sua figura, segundo os apócrifos e sequentes (as primeiras) versões iconográficas poderia ter este aspecto: pequena estatura (paulus), calvo, pernas arqueadas, vigoroso, sobrancelhas juntas, nariz ligeiramente recurvado. Também do ponto de vista físico, exceptuando talvez algumas deficiências (calvície, remeloso, cambaio) e psicológico era, apesar de tudo, um homem forte, contradizendo certas alusões e críticas noutro sentido que exageram a sua timidez no porte e no falar (cfr. 1 Co 2, 3-5). Todo o percurso da sua existência, de Tarso a Jerusalém, a Antioquia, à Galácia, à Grécia, a Roma, os milhares de quilómetros feitos a pé, a cavalo ou de barco, perseguições, prisões, castigos, naufrágios levariam qualquer homem normal a sucumbir. Estamos, pois, perante uma pessoa que gastou toda a sua vida até ao fim, podendo concluir que o que lhe faltava, em físico, era compensado e acrescentado pelo espírito.
b) Paulo é normalmente apresentado com túnica e pálio. A sua fisionomia aparece fixada, de acordo com a descrição de Eusébio de Cesareia (séc. III/IV), desde o século V: face nobre, cabelo raro e longa barba negra, tendo, como atributos, o livro (seus escritos) e a espada (instrumento do seu martírio).
Sem dúvida que a iconografia religiosa, com apenas uma excepção, seguiu mais os traços dos Actos dos apóstolos que as confidências paulinas das cartas. Aliás, a idealização do sujeito era um requisito da arte clássica. Rafael e Lesueur procuraram dotar o pregador de Atenas e de Éfeso, com uma ampla cabeleira. Uma constante da sua representação é a barba.
c) O seu atributo pessoal é a espada (séc. XIII), instrumento do martírio. Costuma apresentar-se desembainhada, ainda que uma ou outra vez na bainha. Por vezes aparecerá com duas espadas, por analogia com as duas chaves de Pedro, uma representando o martírio e a outra a palavra de Deus. Na função de patrono dos cesteiros, aparece com um cesto entrelaçado, evocando a fuga de Damasco.
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